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Eu sou jornalista com a maior parte da carreira dentro de
redação de jornal. Mas, antes da Luísa nascer, eu estava trabalhando na área de
comunicação corporativa de uma empresa do setor financeiro. E ritmo de empresa
é bem diferente do ritmo de redação, ao qual eu estava acostumada. A pressão é
maior, o ambiente é mais cruel, os horários são mais puxados. Quando ela nasceu, minha cabeça e minhas
prioridades começaram a mudar (o que acontece com 100% das mães que eu
conheço). Como meu marido poderia segurar a onda das finanças da casa,
conversamos muito e eu decidi dar um tempo àquela rotina pesada. Quando terminou
a minha licença-maternidade no trabalho, resolvi não voltar. Pedi demissão e
montei um escritório em casa.
Lógico que não foi uma decisão fácil, porque sempre fui uma
mulher muito independente e não saberia o que aquela decisão iria me custar
exatamente. Queria ter mais flexibilidade, mas não me via sendo dependente
totalmente do meu marido. Mas, como ele tem um ritmo louco no trabalho,
inclusive com muitas viagens, achamos que seria melhor que um dos dois tivesse
um pouco mais de tempo, pelo menos nos dois primeiros anos da Luísa. Não seria
justo que nossa filha praticamente só nos visse nos finais de semana. Tenho a
sorte de atuar em uma profissão que permite trabalhar em casa, então resolvi
arriscar. Assim teria mais tempo, porém não ficaria sem trabalhar (acho que ser 100% mãe-dona-de-casa me deixaria infeliz).
Confesso que no começo a adaptação não foi fácil, especialmente porque eu
sentia falta de conversar, interagir com as pessoas. Mas depois fui me
acostumando ao ritmo, marcando alguns almoços fora, saindo de vez em quando de
casa. E, sob esse aspecto, hoje lido muito bem. O próprio blog (que eu criei
naquela época) e as redes sociais me ajudam muito no quesito companhia.
Quanto à presença da Luísa, cada fase da criança causa um
impacto diferente. Quando ela era menor (até 1 ano e meio) e exigia presença constante
ao lado dela, era mais complicado. Especialmente quando eu tomava cano da babá
e tinha que ficar sozinha com ela. Era muito difícil trabalhar e fazer minhas
entrevistas por telefone. Eu fazia quando ela estava dormindo, mas nem sempre o
entrevistado resolve retornar a ligação no momento que você gostaria. Ter uma
babá ou empregada que fique com a criança foi fundamental pra conseguir trabalhar
em casa, inclusive para eu poder sair quando tenho reuniões fora. Eu fiz um
projeto de consultoria, por exemplo, em que passava parte do dia fora durante
uns três meses. Mas podia voltar antes do horário de pico do trânsito, olha que
beleza.
Já passei muitos apertos quando ela era pequena. Já dei
entrevistas com ela pendurada na minha perna, já fiquei mil vezes sem graça por
ter que explicar ao entrevistado que o que ele estava ouvindo era mesmo um bebê
chorando. Mas tenho visto que o home office é cada vez mais aceito, acho que o
preconceito tem diminuído bastante.
Agora, se alguém tem preconceito e vai achar que meu trabalho é pior por
causa disso, paciência!
Depois a Luísa cresceu e ficou mais compreensiva, respeitando
mais meu espaço (apesar de aparecer hora ou outra no escritório querendo que eu
brinque com ela). Quando tenho uma entrevista importante e ela está em casa,
converso com a babá e peço pra ela ficar com a Luísa bem longe do meu
escritório e tudo corre bem. Ela respeita se a porta do escritório está
trancada e fica quietinha se eu estou fazendo entrevista. O fato de ela passar
a tarde na escola e ter outras atividades pela manhã também ajuda.
Com o nascimento da Rafaela, mantive o mesmo esquema. Até porque profissionalmente ele
também tem dado super certo e fiz muita coisa bacana (e variada) nesse período. Acho que foi mais fácil administrar agora com ela, porque eu já tinha a rotina estabelecida em casa. Funcionou super bem.
Aprendi também a me disciplinar melhor, o que não é muito
fácil em home office. Meu pico de
rendimento se dá no final da tarde, o que coincide com a chegada da Luísa da
escola. Durante um período, eu continuava trabalhando e ela ficava com a babá
quando chegava. Mas depois me dei conta que esse era um momento em que eu
precisava ficar com ela, e que teria de me ajustar. Especialmente depois que a
Rafa nasceu. Passei a largar tudo quando ela chega da escola e este é um
momento em que fico só com as duas. Só trabalho se for algo realmente com prazo
urgente de entrega.
Encontrar um equilíbrio nesse modelo é um desafio
constante. Aos tropeços e acertos, acho
que tenho evoluído à medida que o tempo passa.
Lá atrás recebi algumas propostas para voltar ao mercado, mas avaliei a situação e optei por manter meu esquema por mais um tempo.
Agora, este ano, estou entrando em uma nova etapa. A Rafaela também começou a ir para a escola, e eu passo todas as tardes sozinha em casa. Comecei a pensar na possibilidade de voltar a ter um trabalho fora.
Mas tenho certeza do que não quero: não topo encarar um trabalho que me faça ficar enclausurada das 8h da manhã às 9 da noite. Se eu resolver encarar esse retorno ao mercado, será em um modelo que me permita ver minhas filhas e estar presente.
Aqui
nesse post já falei em maiores detalhes sobre a experiência em home office.
*Esse post é uma adaptação do texto que fiz para o
Mãe de Duas.